"CALDAS e as ANDORINHAS"
por Sofia Bandeira Duarte, 2023
No final do século XIX, Caldas da Rainha era uma estância termal de enorme popularidade. Com acesso privilegiado através do caminho-de-ferro, inúmeros aquistas e veraneantes deslocavam-se anualmente a esta localidade, a fim de usufruirem dos benefícios das águas e da inerente dinâmica social e cultural.
Durante a época estival, aqui era notada a presença de andorinhas em abundância, sobretudo em redor nos plátanos, como que dando as boas-vindas a quem chegava e se deslocava na área do “Passeio da Copa”.
Observador sempre atento a toda esta realidade foi Rafael Bordallo Pinheiro - o fundador da Fábrica de Faianças das Caldas -, que em 1891 moldou em cerâmica alguns exemplares de andorinhas. Interessado pelo trabalho artístico baseado em elementos naturalistas, Bordallo viu na andorinha a mensagem da própria alma portuguesa, entre a aventura da partida e a saudade do regresso. Desenhou e produziu quatro modelos de andorinhas em faiança, pintados à mão e vidrados, diferindo no tamanho e nos movimentos, de forma a potenciar o efeito criativo da sua apresentação em conjunto. Ainda nos Anos 90 de Oitocentos, o artista registou a patente destas peças, certamente consciente da sua iminente popularidade.
Rapidamente e até aos dias de hoje, as andorinhas - sozinhas ou em bando -, tornaram-se presença habitual nas casas portuguesas. Algumas delas replicam, ainda, o desenho original de Rafael Bordallo Pinheiro.
-Sofia Bandeira Duarte